Assédio é um dos medos das motoristas

Por Juliana Neves (jornalista colaboradora)
A tecnologia trouxe mais facilidades para o cotidiano da sociedade: um exemplo disso são os atuais aplicativos de mobilidade urbana que se tornaram parte da rotina de várias pessoas. E dispositivos de mobilidade inseriram muitos profissionais novamente no mercado de trabalho, dando uma alternativa para quem estava desempregado ou precisava ganhar uma renda-extra.
Essa oportunidade de parceria com os aplicativos atraiu muitos motoristas, algumas mulheres também. E trouxe à tona problemas já enfrentados pelos “mais antigos” na profissão, como as inseguranças no trânsito, o estresse, o alto custo da manutenção dos veículos, os preços altos dos combustíveis. Para as mulheres que decidiram embarcar nessa jornada, ainda existe uma preocupação a mais: O medo dos assédios e da violência sexual.
Esses medos não são em vão. Em qualquer busca rápida na internet é fácil encontrar relatos desses tipos de casos. Apesar disso, muitas motoristas enfrentam esses desafios diários. Conversando com algumas dessas mulheres que costumam fazer corridas nos aplicativos em Salvador, um detalhe me chamou mais atenção: Além de todos os cuidados que qualquer motorista profissional precisa ter, elas relatam que ainda se sentem obrigadas a adotar posturas como: Vestir roupas que cubram a maior parte do corpo, não usar muita maquiagem, não passar perfume e uma delas até me contou que prefere usar aliança!
Tudo isso para se prevenir de possíveis atitudes machistas dos passageiros como cantadas, brincadeiras de duplo sentido ou até mesmo atos mais perversos como a violência sexual.
Algumas medidas visando a segurança dessas profissionais já foram tomadas. Hoje, por exemplo, já existe um aplicativo disponível só para mulheres (motoristas e passageiras). Mas essa realidade ainda continua sendo muito cruel com quem já está no ramo, com quem pensa em entrar e, analisando de maneira mais ampla, esse medo ainda faz parte da rotina de quem muitas vezes é visto como o sexo mais frágil.
Mesmo em qualquer outra área, quem nasceu mulher sabe que qualquer tipo de assédio ou risco de violência sexual é algo bem real. Por isso, o tema violência contra a mulher merece ser tratado com a devida importância para que o poder público comece a atuar de maneira mais eficaz para inibir essas práticas abusivas e de uma agressividade sem lógica. Além disso, a sociedade deve reforçar o movimento contra a violência em todo o Brasil e comece mesmo a combater esses atos completamente machistas e desnecessários.

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