Carro na garagem não alcança nem 30% dos domicílios baianos

Por Lu Nascimento

Possuir uma casa com um carro é indicador da realização do American Dream, sonho de prosperidade dos norte-americanos. Nos Estados Unidos, os componentes desse conjunto de ideias, conscientes ou inconscientes, sofreram variações temporais e passaram a incluir itens baseados não apenas no ideológico capitalista.

Os animais domésticos (pets) são bons exemplos desses elementos que não possuem, necessariamente, valor material. Todavia, essa aspiração não pertence somente aos estadunidenses. Essa ideologia de casa com cachorro e uma família feliz cruzando o país no automóvel foi transmitida ao mundo pelos filmes de Hollywood.

Vindo de longe ou não, aqui no Brasil, quem nunca ouviu a expressão “quem casa quer casa” e “uma casa com um automóvel na garagem”? A segunda pode até ter vindo do anúncio do prêmio de uma loteria. A propriedade da casa e do automóvel perpassa o imaginário e às vezes a necessidade do brasileiro também.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2017, no Brasil, as pessoas habitavam, majoritariamente, casas (86,6%) e 67,9% dos domicílios eram próprios de algum morador – já pago. Na Bahia, para o mesmo ano, o percentual era superior ao da nação, 88,2% residiam em casas e 75,4% dos domicílios pertenciam a algum morador.

Carros e motocicletas

No Brasil, cerca de 47,6% dos domicílios possuíam carro, 22,4% tinham motocicleta e 10,8% mantinham ambos. Em termos relativos, a Bahia ultrapassou o país apenas na posse de motocicletas (24,6%). Os percentuais para posse de auto e para ambos os tipos de veículos corresponderam à, respectivamente, 28,4% e 7,1% nesse estado nordestino.

Em termos regionais, o Sul do país era o que apresentava o percentual mais elevado de domicílios com automóveis (67,5%), seguida pela região Centro-Oeste (58,2%) e pela Sudeste (54,9%). Em contrapartida, a região Nordeste (27,0%) e a Norte (26,9%) registravam as menores porcentagens referentes à posse de carros nos domicílios. Observou-se a importância das motocicletas nos domicílios das regiões Norte (32,6%) e Nordeste (29,8%), onde no contexto regional não predominam os carros.

Os veículos motorizados de duas rodas são mais acessíveis em relação ao financiamento e a manutenção, são mais rápidos e estão substituindo até mesmo os animais, como os jegues e os cavalos, no meio rural. Os lares do Centro-oeste (28,2%) apresentam o terceiro maior percentual de posse desse meio de transporte de duas rodas. Apenas 19,6% dos domicílios da região Sul possuíam motos. E, na derradeira posição no ranking das regiões estava o Sudoeste do país, com apenas 16,1% das residências com motocicletas.

O percentual mais elevado de domicílios que detinham os dois meios de transporte, automóveis e motocicletas, estavam no Centro-Oeste (15,8%). E a percentagem dos domicílios da região Sul (15,0%) se aproximava desse índice. A região Sudeste apresentava 10,6% e a Norte (8,6%) e a Nordeste (7,7%) exibiram percentuais inferiores a 10%.

Em síntese, o percentual de domicílios na Bahia com posse de automóveis é muito inferior ao do país. Ainda assim, em termos relativos, havia mais carros no estado do que motocicletas, diferente do encontrado na região nordeste. O sonho da casa com automóvel na garagem não alcança nem 30% dos domicílios baianos.

Lu Nascimento é economista, pesquisadora e PhD em Recursos Naturais pela University of New Hampshire, EUA

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