GP de Portugal, uma prova com pista e curvas como nos velhos tempos da F1

Por Durval Pereira

Enfim uma boa corrida, enfim várias ultrapassagens, enfim pilotos mostrando realmente suas habilidades no Autódromo Internacional de Algarve, Portugal. Foi necessário um autódromo construído propositalmente fora dos padrões vigentes para a F-1 mostrar, na realidade lembrar, o que realmente é, mas nem mesmo isso conseguiu disfarçar a enorme diferença entre os carros da Mercedes e os outros

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Com Hamilton na pole, a corrida teve um começo excelente, vários carros tiveram problemas no aquecimento dos pneus o que levou a McLaren ao primeiro lugar nas voltas iniciais, com Bottas em segundo e Hamilton terceiro, logo tudo voltou ao normal, ambos da Mercedes passaram o Sainz e Hamilton o Bottas, enquanto isso Gasly, Raikkonen e principalmente o Perez faziam uma corrida digna de se ver, já o Stroll veio se atrapalhando como sempre, Verstappen fez a sua parte.

Uma imagem icônica explica o que é a F1 atual. A TV mostrou o Hamilton fazendo uma curva em altíssima velocidade, usando somente uma mão, voltas mais tarde Hamilton informou estar com câimbras nas pernas. Realmente o inglês sabe usar a mídia, não bastasse seu entrevero com o Vasily Petrov, ex piloto escolhido como comissário da corrida (que teve que voltar às pressas à Rússia pois seu pai foi encontrado morto) unicamente porque o Petrov não foi na onda daqueles protestos raciais fora de propósito que o inglês insiste em levar ao mundo da F-1. Logo ele, Hamilton, que inegavelmente é um excelente piloto, mas nunca teve um adversário a altura e desde criança contou com todas as facilidades e portas abertas para se tornar o campeão que é.

Não posso parabenizar o Hamilton. Hoje ele detém quase todos os recordes, mas nunca saberá seu verdadeiro valor pois nem mesmo o Schumacher teve por tanto tempo um carro tão superior aos outros. O alemão nunca ganhou corrida com apenas três pneus, nunca se mostrou imagem dele pilotando somente com uma mão, na verdade para ganhar um título ele até teve de por para fora da pista o Damon Hill quando ganhou seu apelido de Dick Vigarista. Embora respeitado não creio que o Lewis ao ver seu nome repetido nas várias colunas de recordes e vitórias se ache tão superior assim, acredito que ele trocaria 90% dos seus títulos pela oportunidade de ganhar um, pelo menos um, em cima de um Senna, Piquet, Prost, Mansell, acontece que o problema nem é falta de bons pilotos e sim o desequilíbrio entre os carros, basta ver a diferença para o terceiro colocado.

Durval Pereira é comentarista automobilístico.

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