Homenagem ao mito Ayrton Senna

Com chuva e com um carro inferior ao de Prost e Hill (Williams), o tricampeão Ayrton Senna engoliu quem estava à sua frente e, antes mesmo de entrar na reta principal da pista, já estava na liderança. Viva o nosso Ayrton Senna (1960/1994)

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O tricampeão Ayrton Senna é a prova de um mito, de um ídolo, de um piloto que mudou radicalmente a então paixão do brasileiro pelo futebol. De fato, o gostinho pela vitória já era rotineiro: Fittipaldi (1972/1974) e Piquet (1981, 1983 e 1987). Com Senna, tudo ficou diferente na Fórmula 1, a categoria mais importante do automobilismo.

Na minha juventude, corria para frente da telinha para vê-lo nas pistas pelo mundo afora. Não importava: queria assistir, mesmo que o carro não fosse tão competitivo, a exemplo do Toleman. Senna levava a máquina ao extremo e, literalmente, nas mãos, guiando com todo o seu talento para conduzir sua equipe à vitória.

Não importava se ele saísse na primeira volta ou mesmo se ao final nem estivesse no pódio. Era a “abelhinha” do automobilismo que havia me picado: estava totalmente envolvido com o talento de Ayrton Senna nas pistas.

Foram provas memoráveis. Nas pistas, Senna dava aula de pilotagem, com uma tocada segura, agressiva e em busca das vitórias. Alguns dos seus recordes na Fórmula 1 já foram até superados, mas as histórias de corrida jamais serão. Ayrton guiava seus carros sem controle de tração e sem a tecnologia que transformou o alemão Michael Schumacher no atual megacampeão da categoria. Em apenas 10 anos – entre 1984 e 1994 -, Senna fez seu nome com talento e maestria, atingindo 41 vitórias, 80 pódios e 65 pole positions.

O nosso Ayrton Senna passou por quatro equipes (Toleman, Lotus, McLaren e Williams). Na que seria a melhor de todas, a Williams, Senna não conquistou muito, e ainda perdeu a sua vida em uma corrida cheia de acidentes. Alguns acidentes ocorreram até nos treinos de classificação, envolvendo, por exemplo, Rubens Barichello, visitado no hospital pelo seu ídolo. O que ocorreu neste final de semana na Itália mostrou que a segurança dos carros e das pistas ainda não era uma prioridade na Fórmula 1.

Saudades dos meus domingos, acordando pela madrugada para assistir treinos e corridas no Japão, pulando da cama logo cedo para assistir corridas como a do Principado de Monaco, GP da Alemanha e a memorável prova de Donington Park, com uma primeira volta jamais vista na história do automobilismo. Em um dia chuvoso e com um carro não tão bom como o da dupla Prost e Hill (Williams), Senna engoliu quem estava à sua frente e, antes mesmo de entrar na reta principal da pista, já estava na liderança.

Sem falar na grande vitória de Ayrton no GP Brasil em 1993 no circuito de Interlagos, considerado o quintal e o parque de diversões do brasileiro. Nesta prova, ele foi um mágico das pistas, fazendo uma corrida com um carro inferior ao dos rivais e, mesmo assim, conseguiu receber a bandeira quadriculada à frente de todos.

E mais, Senna foi grande até em seus títulos. No último, ia conquistar mais uma vitória e viu pelos retrovisores seu companheiro Berger, escudeiro de luxo na McLaren, em segundo lugar. Antes das últimas curvas, diminuiu a velocidade e cedeu gentilmente o lugar mais alto do pódio a Berger. Venceram Senna, tricampeão, e o amigo Berger.

Vencer era seu verbo mais que perfeito. Senna é mito, e nunca vai morrer na alma e no sentimento do povo brasileiro. Viva o nosso Ayrton Senna (1960/1994).

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