Kia Rio enfrenta bem rivais como o Volkswagen Polo; dólar é o maior concorrente

Por Roberto Nunes

“Qual é esse carro? Bonitão, viu! Não conheço”, indagou o administrador da pizzaria do Parque Júlio César, na Pituba, na capital baiana.

Eis ai o Kia Rio, modelo global da marca sul-coreana que já é bem conhecido em várias mercados da Europa, Ásia e países da América do Sul. Pelas ruas brasileiras, o Rio chegou recentemente para brigar na faixa das versões mais caras do Volkswagen Polo, Fiat Argo e até com o Chevrolet Onix, o carro mais vendido nos últimos cinco anos no país.

Sem pretensão de ficar entre os mais comercializados no Brasil, o Kia Rio quer mesmo uma pequena fatia no segmento dos hatches médio-compactos do mercado nacional. Para tanto, o hatch é ofertado nas versões LX, por R$ 69.990, e a EX, que custa R$ 78.990.

A topo de linha testada pelo AUTOS E MOTOS é a mais vistosa e equipada. Assim como o irmão HB20 (Kia e Hyundai integram o mesmo grupo), o Rio também tem cobertura de fábrica com garantia de 5 anos ou 100 mil km rodados. Rivais como o Polo e Onix são três anos de garantia, por exemplo.

O visual frontal do Rio traz a identidade global da Kia e lembra o irmão de plataforma, o sedã Cerato. O Rio é, de fato, um hatch mais para o lado premium do que o VW Polo. A Kia equipa o modelo com volante de dimensão pequena, mais com pegada esportiva, e acabamento mais soft no painel de instrumentos com estilo clássico, mostradores analógicos de velocímetro e conta-giros e com luz branca de fundo.

O Kia Rio tem sob o capô o antigo motor 1.6 flex que equipava a versão anterior do Cerato. No entanto, houve ajustes e acertos para gerar mais potência, ficando agora com 130 cavalos de potência máxima a 6.000 rpm abastecido com etanol. Seu toque é de 16,5 kgfm (etanol) a 4.700/ 4.500 rpm, associado sempre ao câmbio automático de seis marchas. No mundo do motor turbo, a Kia ainda patina neste quesito e não há previsão da oferta do propulsor mais moderno com turbo e injeção direta.


Mas isso é compensado pela Kia com a dinâmica de condução do Rio na cidade como também nas situações de viagem. O modelo tem direção elétrica, mais leve e eficiente, e um pacote de itens como controles de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampa e sistemas de Controle de Frenagem em Curva (CBC) e de Gestão de Estabilidade do Veículo (VSM). Além disso, o hatch já vem de fábrica com rodas de liga aro 15, ar-condicionado, farol de neblina, travas e vidros elétricos nas quatro portas, retrovisores elétricos, além de uma central multimídia moderna com tela de 7 polegadas, com conexão Android Auto e Apple CarPlay e câmera de ré.

O carro testado dispensa o uso de sensores de presença mas tem como mimos o ar-condicionado digital, luzes diurnas em led, faróis com assistência de manobra e bancos, volante e alavanca do câmbio em couro. Isso é um diferencial para cobrar quase R$ 80 mil num hatch-compacto.
No uso urbano, o Rio surpreende pelo conjunto mecânico, ajustado e de respostas rápidas entre o acelerador, câmbio e motor. Para garantir o conforto do motorista e demais passageiros, a Kia inclui ainda na versão mais cara do Rio equipamentos como descansa braço, retrovisores com rebatimento elétrico e aquecimento, além de porta com apoio de braço revestido em couro sintético almofadado, USB para o banco traseiro e vidro do motorista com “um toque” e antiesmagamento. Para o carona, não há sistema de um toque no vidro, um pecado cometido pela Kia, que inclui apenas dois airbags.

Mas o Rio tem sim controle de velocidade cruzeiro e isto oferece maior segurança e comodidade para o motorista. Infelizmente, não há como saber o consumo médio do bom motor 1.6 flex. São poucos os modelos Kia que oferecem os números de consumo e, no Brasil, a fabricante deixa a dúvida para quem quiser estacionar o Rio na garagem.

Vindo do México, o Rio é realmente um carro muito bem construído e produzido. A distância entre os eixos, por exemplo, é de 2,58 metros, superior à do Polo, Onix e HB20. Essa medida é o principal requisito para a definição do espaço interno. O banco traseiro do Kia comporta duas pessoas com certo conforto. Na capacidade do porta-malas, o Rio também leva vantagem no segmento. Ele pode transportar até 325 litros de bagagem.

Nos dias de câmbio do dólar a mais de R$ 5, a Kia deve – em breve – reposicionar os preços do hatch no Brasil. Fora algumas esgorregadas no terreno sólido dos hatches no país, a Kia tem bons argumentos para convencer o baiano fazer um test drive, entrar no carro, avaliar o pacote de equipamentos ofertados e, de fato, decidir na hora de fechar a compra: estaciono ou não o Rio na minha garagem? No frigir dos ovos – e com a experiência de quase 20 anos nas avaliações automotivas – este Kia Rio estaciona fácil, fácil na #GaragemdoNunes.

 

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