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Por Roberto Nunes

O hatch Kwid, compacto da Renault, chegou com tudo no Brasil. Em setembro, mês de estreia no mercado brasileiro, o pequeno Kwid ficou em segundo lugar, desbancando modelos como o Ford Ka e o Hyundai HB20. No mundo dos pequenos carros, a rivalidade maior é com a dupla Volkswagen up! e Fiat Mobi, ambos têm as dimensões similares, motor 1.0 com tecnologia de três cilindros e perfil de “carro urbano” e conectado via emparelhamento do smartphone no multimídia.

Autos e Motos colocou lado a lado os hatches Kwid e Mobi, compactos que chegaram com a proposta bem parecida de ser o novo “queridinho” do Brasil. Por enquanto, quem está bem na fita é o hatch da Renault. Só em setembro, foram 10.358 unidades vendidas contra as 3.602 do Mobi – que tem 38.894 unidades emplacadas no acumulado de janeiro a setembro de 2017.

O fenômeno Kwid é justificado. Um dos pontos é a novidade no mercado. Em 2016, o Mobi também foi uma novidade e não registrou este estardalhaço gerado pelo Kwid nem, tampouco, teve um volume bom de vendas no primeiro mês após o lançamento. Por isso, veja aqui quais são os argumentos usados pela Fiat e pela Renault para tentar destronar o líder Chevrolet Onix, que vai fechar 2017 como carro mais vendido do país.

A estratégia de vendas da Renault está sendo bem agressiva. O Kwid chegou com preço abaixo dos R$ 30 mil, e este apelo deu certo no mercado, mesmo sendo uma versão mais espartana e sem o sistema de ar-condicionado e a direção elétrica. Já o Mobi ganhou mercado de maneira equivocada, sem o motor 1.0 de três cilindros, que somente foi apresentado sete meses depois em uma versão mais cara e acima dos R$ 30 mil.

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Bola da vez

A Renault ousou no lançamento e fez a apresentação do Kwid no gramado do Alliaz Parque, o estádio do Palmeiras, na capital paulista. O “gol de placa” da marca francesa fica ainda mais bonito em uma versão mais cara, a Intense, testada pela equipe do Autos e Motos nas ruas de Salvador.

Hatch tem pacote mais generoso na sua versão mais cara, a Intense, que custa R$ 39.990
Hatch tem pacote generoso na versão mais cara, a Intense, que custa R$ 39.990

O carro é pequeno e tem espaço para três passageiros e o motorista, igualzinho ao Mobi e ao up! também. O Kwid passa longe de ser o SUV dos compactos. É um hatch pelas suas dimensões e características. Tem uma aparência bem maior e usa isso para cair no gosto do brasileiro. O Renault Kwid Intense sai por R$ 39.990 e é valorizado pelo conteúdo de equipamentos nos seus 3,68 metros de comprimento, 1,47 metro de altura, 1,58 metro de largura e distância de entre-eixos de 2,42 metros.

Motor 1.0 flex com tecnologia de três cilindros gera 70 cavalos
Motor 1.0 flex com tecnologia de três cilindros gera 70 cavalos

Sob o capô, está instalado o motor 1.0 SCe flex, de três cilindros e 12V, com 70 cavalos de potência e torque de 9,8 kgfm a 4.250 giros, auxiliado pelo câmbio manual de cinco marchas. Pesa apenas 780 kg e tem espaço de porta-malas de 290 litros.

A listinha de equipamentos é interessante e a Renault inclui algo a mais na segurança, com quatro airbags, duas fixações Isofix para cadeirinhas infantis, alertas visual e sonoro, sistema de pré-tensionador dos cintos de segurança dianteiros e os obrigatórios freios ABS e airbag duplo. Há vidros e ajuste dos retrovisores elétricos. Esta é a configuração mais completa do hatch da fabricante francesa e traz direção elétrica, ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos, rádio com Bluetooth e entradas USB e AUX, retrovisores elétricos, faróis de neblina cromados, Media NAV 2.0 com câmera de ré, abertura elétrica do porta-malas, rodas Flexwheel e chave dobrável.

A central multimídia tem GPS integrado e câmera de ré
A central multimídia tem GPS integrado e câmera de ré

O Kwid é um carro mais simplório no aspecto acabamento e uso dos materiais no painel e nos detalhes das portas. É um hatch moderninho com sua central Media NAV, com GPS integrado e com possibilidade de esparelhamento do celular para o uso de aplicativos na tela de sete polegadas. As imagens da câmera de ré servem para auxiliar o condutor em estacionamento, por exemplo. Com o Pack Connect, há programas como o Eco Scoring e o Eco Coaching no multimídia, e avalia por meio de pontuação, dando sugestões para uma forma de condução mais econômica.

Hatch da Fiat tem a opção da transmissão automatiza GSR
Hatch tem o câmbio automatizado GSR acoplada ao motor 1.0  de 3 cilindros

Carro para cidade

O Mobi chegou como carro moderno e para cidade em 2016. No entanto, a Fiat “mordeu” o próprio calcanhar ao lançar o hatch com o ultrapassado motor 1.0 de 16V. O erro da marca italiana somente foi corrigido meses depois com o lançamento do Mobi com o tão desejado propulsor 1.0 com tecnologia de três cilindros. O novo motor Firefly 1.0 três cilindros adota o sistema de 2 válvulas por cilindro com geometria do conjunto otimizada. Com isso, o Firefly 1.0 trabalha em giro mais baixo, garantindo menor consumo e sua potência de 72 cavalos. Outra novidade é a oferta da opção da transmissão automatizada GSR, uma evolução da caixa de câmbio Dualogic.

Motor traz nova tecnologia com 2 cilindros por válvula
Motor traz nova tecnologia com 2 cilindros por válvula

Autos e Motos andou no Mobi Drive GSR, a versão mais cara do hatch compacto da Fiat. Sai por R$ 40.650 com cambio manual de cinco marchas e, na configuração Drive GSR, custa a partir de R$ 44.780. Ambos têm direção elétrica com função City, que quando ativada por meio de um botão no painel reduz ainda mais a necessidade de esforço durante as manobras de estacionamento. Entre os itens, estão lá ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, vidros elétricos dianteiros, trava elétrica nas portas e volante com regulagem de altura. Há ainda maçanetas e retrovisores na cor do veículo. O Kit Connect, com desembaçador do vidro traseiro, limpador e lavador vidro traseiro, inclui rádio Connect com Bluetooth e volante multifuncional. Há também o Kit Live On, com quadro de instrumentos em TFT.

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O Mobi Drive é um hatch melhor acabado. É uma evolução do maior Uno. O compacto da Fiat tem 3,56 metros de comprimento, 1,50 metro de altura, 1,63 metro de largura e 2,30 metros de entre-eixos. Seu porta-malas é de 215 litros. O carro é mais pesado que o Kwid. São 933 kg.

Espaço no porta-malas é acanhado, mas há a opção do rebatimento dos bancos
Espaço no porta-malas é acanhado, mas há a opção do rebatimento dos bancos

A Fiat está longe de emplacar de vez o Mobi, que vem com chave com telecomando, faróis de neblina, rodas de liga leve 14″, alarme, retrovisor elétrico com Tilt Down, Cargo Box, banco do motorista com regulagem de altura, sensor de estacionamento traseiro, cintos dianteiros com regulagem de altura, abertura interna do porta-malas e tanque de combustível, além de revestimento da soleira das portas dianteiras.

Esta versão do Mobi com câmbio GSR é ajustada para a cidade, e sua transmissão automatizada evoluiu com boa relação de marchas e trocas sem trancos, mesmo para quem deseja usar o volante com paddle shift.

Na briga dos pequenos hatches, a escolha é do consumidor. A Fiat corrigiu em tempo o erro da oferta apenas do motor antigo e hoje oferece um hatch à altura do seu histórico de carros campeões de vendas no Brasil. O carrinho da Renault se saiu bem nas vendas no primeiro mês cheio mas precisa ainda evoluir no quesito acabamento. Entre o Kwid e o Mobi, Autos e Motos indica o hatch da marca italiana.

 

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