Niki Lauda, o campeão anticlímax da Fórmula 1

Por Durval Pereira

Impressionante: essa é uma boa definição para Niki Lauda. Como ser humano e como piloto. Chegou a Fúrmula 1 em uma época que, além dos concorrentes naturais, a morte se avizinhava a cada treino, cada corrida.

Falecido por complicações de saúde na última segunda-feira, 20 de maio, Niki Lauda ganhou três campeonatos da Fórmula 1 (1975/1977/1984).

Chegou mudando conceitos e usos de materias nas composições dos carros e exigiu o uso deles. Como não era diplomático angariou antipatia, mas o sucesso consequente das vitórias o imunizou; seu jeito direto e ácido também nunca foi bem visto, como por exemplo ao confrontar colegas de profissão ainda no local de um acidente fatal quando simplesmente disse que a culpa total tinha sido do acidentado.

Então a vida tratou de dar-lhe uma lição, em um acidente no veloz e perigoso circuito de Nurburgring em 1976. Na época, foi declarado como morto, e a causa provavel do acidente teria sido um erro seu na troca de marcha. O piloto austríaco sobreviveu e durante sua volta as pistas proporcionou imagens de uma recuperação digna dos heróis.

Dentre tantas sequelas no seu rosto deformado não se encaixava em nenhum padrão de capacetes, o qual teve de ser moldado a sua forma. Para colocá-los as dores eram lancinantes e ele conseguiu superar,  voltar a correr, vencer e se tornar novamente campeão, sendo que nesse processo teve a simpatia de todo o mundo talvez assim dando a ele uma lição o que teria amenizado seu duro coração.

A passagem de Lauda pela Fórmula 1 está intrinsecamente ligada aos brasileiros. Quando estava para se aposentar pela primeira vez tinha como companheiro de equipe na Brabham, o jovem, talentoso e promissor Nelson Piquet – que inventava loucuras para conseguir melhores resultados frente ao então bicampeão  Lauda.

Niki se aposentou voltando anos depois para ganhar o tricampeonato por meio ponto naquele ano que o Ayrton Senna deveria ter ganho o GP de Mônaco (1984): a prova foi interrompida e a vitória dada a Alain Prost com a vitória contando metade dos pontos, (4,5 metade de 9 pontuação do vencedor naquela época), meio ponto esse que foi fatal para o francês naquela temporada.

Lauda encontrou problemas também fora da F1, criou a Lauda Air que foi vítima de um terrível acidente aéreo quase manchando seu nome mundialmente. Sua atitude corajosa e firme foi determinante para salvar sua honra. Ultimamente vinha prestando serviços a Mercedes, mas sua saúde – que nunca foi a mesma após o acidente – se agravou rapidamente nos últimos tempos.

Ele faz parte de um seleto grupo de pilotos excepcionais, pilotos de um tempo quando seria impossível um piloto ter 50, 70, 90 vitórias como acontece hoje em dia. Seu nome se equipara aos de Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart, Ayrton Senna e Alain Prost, em se tratando de gerações pós anos 60. Sua morte deixa um enorme vazio nos corações apaixonados pelo automobilismo.

Durval Pereira é comentarista automobilístico no programa Metrópole Autos na Rádio Metrópole, sábado, das 9h às 12h

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