Opinião: A fraude dos motores

Opinião: A fraude dos motores

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Carlos Ghosn, CEO da Nissan, e Osamu Masuko, CEO da Mitsubish

Por Roberto Nunes

A dúvida paira no ar no segmento dos automóveis. É uma crise de credibilidade histórica e, como maior consequência, deixa o consumidor no olho do furacão. No ano passado, a Volkswagen foi “flagrada” forjando resultados de eficiência na capacidade dos seus motores justamente nos Estados Unidos, um dos países mais rigorosos no quesito lisura nas análises ambientais. A multa pode chegar a U$ 18 bilhões só nos Estados Unidos.

A situação da fraude dos motores se alastra e já atinge outras marcas mundiais. Algumas fabricantes buscam soluções rápidas para tentar se fortalecer em um cenário de crise de credibilidade. Uma delas é a Mitsubishi, uma das grandes japoneses e que recentemente entrou no noticiário por assumir a culpa de fraudar motores de 625 mil mini-carros no Japão.

Para tentar “apagar o incêndio” e pular fora do escândalo, a Mitsubishi se alinhou a rival Nissan, que irá dividir a administração das operações mundiais do grupo japonês.  Em comunicado nesta quinta-feira, a Mitsubishi registrou o início da parceria e a assinatura de um acordo para formar uma aliança estratégica de longo prazo entre a Nissan Motor Co, Ltd. e a Mitsubishi Motors Corporation.

O comunicado oficial informa que, “após uma emissão de ações da Mitsubishi, a Nissan ficará com 34% de participação na Mitsubishi por 237 bilhões de ienes (7,5 bilhões de reais)”. Diz ainda que a aliança estratégica irá estender uma parceria já existente entre a Nissan e a Mitsubishi, sob a qual as duas empresas têm colaborado nos últimos cinco anos. Usando a estrategia das grandes fusões empresariais, a Nissan e a Mitsubishi concordaram em cooperar em áreas como compras, plataformas de veículos, compartilhamento de tecnologia, utilização conjunta de fábricas e mercados em crescimento. Isso, na prática, é apenas uma detalhe a mais no jogo das cooperações. Tanto nos Estados Unidos quanto no Japão, os erros cometidos devem ser corrigidos e, também, pagos. No caso dos consumidores, as marcas se anteciparam e já garantiram ressarcimento dos gastos e até a compra do carro envolvido na “fraude dos motores”.

É uma postura digna das empresas, porém tardia. É uma correção de um erro grotesco e de total desrespeito ao consumidor.

A transação, reforça o comunicado, está sujeita à assinatura do Acordo de Aliança definitivo. A assinatura do acordo de acionistas com os atuais acionistas do Grupo Mitsubishi será submetida às aprovações regulatórias e deverá ser assinado até ao final do mês de maio. A transação deverá estar concluída até ao final do ano.

 

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