Padrão Mercosul: Emplaca ou não emplaca?

Por Felipe Freaza (jornalista colaborador)

A implantação da nova identificação da placa-padrão Mercosul nos veículos tem sido marcada por diversos adiamentos. Será que o novo padrão vinga? Ao observar o trânsito em Salvador é possível notar que as placas da frota de veículos estão sendo alteradas. Se antes a seqüência era formada apenas por três letras e quatro números, o padrão Mercosul vem mudando gradativamente.

Agora é possível ver também novos modelos formados por quatro letras e três números (que não seguem ordem fixa), deixando de lado a tradicional cor cinza dando lugar ao branco e azul, no caso de veículos particulares.

Só que, desde que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) determinou a mudança, o novo emplacamento sofreu diversos adiamentos. O primeiro decreto, feito em novembro de 2014, determinava que o novo padrão entrasse em vigor em 2016. Depois disso, o prazo foi alterado mais cinco vezes. O último desdobramento sobre o caso aconteceu na semana passada, quando o presidente Jair Bolsonaro disse que pretende anular o novo modelo de identificação no país. Afinal, o padrão Mercosul irá vingar no Brasil?

Em meio a tantas prorrogações a nova placa passou a valer, finalmente, em dezembro do ano passado. Até então, continua válida a obrigatoriedade da nova identificação nos casos de veículos zero quilômetro, transferência de proprietário, transferência de município e de categoria.

Caso queira, o proprietário de um veiculo também pode fazer a troca de forma voluntária. Basta apenas emitir uma solicitação da segunda via do DUT. Sendo assim, pessoas que se encaixem numa dessas situações tem até o dia 30 de junho de 2019 para se adequar ao novo regulamento. O valor médio cobrado pelo serviço em Salvador é de R$ 240 por cada placa. Caso não ocorram novas intercorrências, em dezembro de 2023 a mudança já terá alterado 100% da frota no país.

Os consumidores têm encontrado certa dificuldade com a realização do serviço na capital baiana. Atualmente existe apenas uma empresa credenciada a fabricar a matéria-prima que é repassada aos estampadores das placas, gerando um longo tempo de espera.

Valnei Meira é um dos motoristas que enfrentaram esse contratempo. Taxista há 40 anos, ele trocou de carro no mês de dezembro e reclamou da estrutura oferecida pelo Detran. “Por eu ter sido um dos primeiros a colocar essa placa, foi bastante complicado. Demorei semanas aguardando para realizar o serviço”, disse.

Quem também reclamou do tempo de aguardo das placas foi Roberto Couto. Segundo ele, o processo demorado fez com que aumentasse a expectativa para regularizar o seu primeiro automóvel, um Fiat Argo zero quilometro. “Tem que ver isso. Demorei algum tempo para regularizar e poder sair com o carro. Deveria ter mais empresas a frente disso”, indica.

E não é só o tempo de espera que tem desagradado aos consumidores. O preço praticado para execução do serviço também é um dos fatores que desagradaram ao taxista Valnei Meira. “Essa placa é mais cara que as placas normais. Gastei 480 reais e eu não vi nenhuma vantagem até o momento”, comentou.

Em entrevista ao Autos e Motos, Luide Souza, major da Polícia Militar e especialista em legislação de trânsito, afirmou que os problemas estão sendo analisados pela gestão do Detran e em breve haverá soluções para desafogar o tempo de espera. “Num primeiro momento, no mês de dezembro, houve muitos transtornos com relação a isso, principalmente no atendimento ao cidadão. Isso vem sendo corrigido pela atual gestão do Detran no sentido de credenciar novos fabricantes para que o processo seja mais transparente e a livre concorrência faça com o que os preços diminuam”, admite.

O especialista em trânsito afirmou ainda que, em breve, os consumidores terão boa noticias para agilizar tal procedimento. “Todos esses pontos estão sendo corrigidos. Nós acreditamos que dentro de 30 dias o serviço esteja totalmente normalizado”, finalizou.
Até o fechamento dessa edição, o padrão de placas modelo Mercosul continua mantido. Embora tenha chegado ao Brasil com propostas positivas, principalmente com relação à segurança contra fraudes, o futuro dessa implantação é incerto.

 

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