Rota 2030: um passo para o futuro do carro

  • Especial sobre o Rota 2030

O Rota 2030, programa federal de incentivos para o setor automotivo, deve entrar em vigor nos próximos meses, depois de muito tempo de negociação. O projeto substitui o antigo Inovar Auto, que perdeu a vigência em 31 de dezembro do ano passado, e prevê, entre outros benefícios, incentivos para as montadoras que investirem em pesquisa e desenvolvimento.

A definição das bases do projeto vem na esteira da retomada do crescimento da indústria depois de anos de grave recessão. Em 2017, o mercado automotivo brasileiro cresceu 9,36% em número de veículos novos emplacados versus 2016, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). A tendência de alta se manteve nos primeiros meses deste ano. De acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos  Fabricantes de Veículos Automotores), a produção e o licenciamento de veículos registraram crescimento de 15% de janeiro a março de 2018, comparando com o mesmo período do ano passado.

O que o programa federal de incentivos e a retomada do setor impactam no mercado de trabalho? A necessidade de desenvolver novas habilidades.

De acordo com Gabriel Almeida, sócio consultor da Fesa Group, consultoria de retained executive search e de estratégia de capital humano, entre as características que passam a ser exigidas estão visão generalista, interação multidisciplinar, colaboração, idioma, tomada de decisão e flexibilidade.

Apesar das facilidades e confiabilidades que a tecnologia proporciona, o profissional precisará cada vez mais ter conhecimentos técnicos (formação, cursos e/ou especializações) para tomar as melhores decisões. Com a conectividade entre áreas e países, o idioma é fundamental para fortalecer as relações e compartilhamento de informações. Além de ter a flexibilidade para avaliar o ponto de vista dos seus interlocutores, multiculturais”, destaca.

O segmento automotivo foi protagonista nas últimas revoluções industriais e vai se transformar ainda mais com a Indústria 4.0. Não apenas com a automação física dos processos, mas com o aumento do processamento de dados e controles, por meio da inteligência artificial, machine learning, deep learning. “Cada vez mais os profissionais serão desafiados pela tecnologia e inovação dentro do segmento automotivo”, complementa o consultor.

A busca por perfis adequados ao momento de transformação já é uma realidade. Nos primeiros meses de 2018, a Fesa Group teve um aumento de 14% no volume de posições feitas frente ao ano anterior, exclusivamente na indústria automobilística, considerando tanto posições de média gerência quanto altos executivos. As áreas mais demandas foram as de Engenharia, Tecnologia, Marketing e Recursos Humanos.

Essa mudança no perfil, conclui Gabriel, também está relacionada ao desafio que o mercado automobilístico enfrenta do ponto de vista de mobilidade.  Nota-se uma tendência das novas gerações de não ter pretensão de adquirir o próprio veículo, o que faz com que as empresas tenham que repensar o modelo de negócios e se adaptar às novas demandas.

Matéria da Fesa Group

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