As marcas chinesas mantiveram, em setembro, o crescimento de sua presença no mercado brasileiro de veículos seminovos e avançaram sobre consumidores de montadoras tradicionais, principalmente Jeep, Volkswagen, Hyundai e Chevrolet. É o que mostra a edição de outubro do Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com dados transacionais da plataforma Auto Avaliar.
No terceiro trimestre de 2026, a Jeep foi a marca mais afetada pela migração de consumidores para fabricantes chinesas. O levantamento estima que 23.993 unidades deixaram de ser destinadas à marca nesse movimento, volume equivalente a 46% dos emplacamentos que ela poderia ter alcançado no período, considerando essa perda. Na Volkswagen, foram 22.463 unidades, ou 15% do volume potencial. Hyundai e Chevrolet perderam, respectivamente, 19.003 e 18.421 unidades, o equivalente a 30% e 18% de seus volumes potenciais.

O estudo também aponta que 17,4% das trocas consideradas na análise já ocorrem entre duas marcas chinesas. “Esse é um movimento que já havíamos previsto, em que as fabricantes chinesas não vão mais precisar disputar o mercado com as montadoras tradicionais, se consolidando na preferência dos brasileiros e começando a concorrer entre si na renovação dos veículos”, afirma Fábio Braga, Country Manager da Megadealer.
“Os dados mostram que a disputa das marcas chinesas já tem efeito mensurável sobre as montadoras tradicionais. A Jeep aparece como o caso mais expressivo proporcionalmente, enquanto Volkswagen, Hyundai e Chevrolet também registram perdas relevantes em volume. O movimento merece atenção porque não se limita à venda de carros novos: ele muda a concorrência pela troca do usado e pode alterar a composição da demanda nas concessionárias”, avalia Braga.

Ticket médio cai e estoque leva 38 dias para girar
Ainda de acordo com o PVU, no mercado geral de usados e seminovos, o tíquete médio de venda caiu de R$ 88.545 em agosto para R$ 87.298 em setembro, o menor valor registrado desde janeiro de 2026. A margem bruta média também recuou, de 9,9% para 9,8%. O giro médio de estoque voltou a subir e chegou a 38 dias em setembro, contra 37 dias em agosto. O resultado mostra que, apesar do volume de vendas, as concessionárias seguem pressionadas a equilibrar preço de compra, margem e velocidade de comercialização. Segundo a Fenauto, o mercado brasileiro comercializou 14,2 milhões de veículos usados de janeiro a setembro de 2026, alta de 6,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já o ranking de rentabilidade dos seminovos, por modelo, reforça o domínio chinês. O Chery Tiggo 7 liderou a lista de modelos fabricados entre 2024 e 2026 com maior retorno sobre o investimento (ROI) durante o mês de setembro. O SUV registrou preço médio de venda de R$ 122.833, margem bruta de 10% e giro de estoque de 26 dias, em média.

O Renault Kwid ficou em segundo lugar, com preço médio de R$ 56.313, margem de 11,7% e giro de 33 dias. O Chery Tiggo 5x completou o Top 3, com preço médio de R$ 102.775, margem bruta de 9,2% e giro de 27 dias.

O Top 10 também reúne modelos de marcas tradicionais. O Fiat Mobi ficou em quarto lugar, com margem bruta de 12,4% e giro de 37 dias. O BYD Song Plus aparece na quinta posição, com preço médio de R$ 175.192, margem de 8,7% e giro em 31 dias. Fiat Strada, Fiat Argo, Hyundai HB20, Volkswagen Polo e Toyota Yaris Hatch completam a lista. A amostra do estudo reúne 3.471 concessionárias de 26 marcas conectadas à plataforma Auto Avaliar.


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