Audi lança SUV elétrico e-tron; carro dispensa retrovisores

Enfim, o tecnológico e moderno Audi e-tron desembarca em solo brasileiro. Apresentado como carro-conceito no Salão de Frankfurt em 2015, o modelo da marca alemã estava em período de pré-venda por aqui desde novembro do ano passado. O e-tron é o pioneiro entre os SUV´s dos mercados europeu e brasileiro a vir sem os retrovisores externos, além de ser o primeiro carro 100% elétrico fabricado em série pela marca alemã. No passado, a Audi até lançou uma versão elétrica do R8, de produção limitada, que acabou saindo de linha devido à baixa procura.

Importado da Bélgica, o utilitário plug-in chega em duas versões, com preços promocionais de lançamento: e-tron Performance custa R$ 499.990 e sai por R$ 459.990; e o e-tron Perfomance Black tem valor de 539.990 e sai por R$ 499.990. É uma oferta com R$ 15 mil de desconto na troca do veículo usado e quatro anos de manutenção já incluídas nos valores.

O e-tron vem com quatro anos de garantia, além de oito anos ou 160 mil km para as baterias. Quem quiser o modelo deve procurar uma das 14 concessionárias habilitadas no país com a bandeira e-tron.

Salvador ficou de fora por enquanto deste planejamento de vendas da Audi, que incluiu Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Londrina, Florianópolis, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro (Botafogo), Vitória e São Paulo (quatro lojas).

O novo Audi e-tron vem equipado com dois motores elétricos, um em cada eixo. Juntos fornecem 357 cv de potência e 57,2 kgfm de torque, mas ele conta com o overboost (acionado por botão), que entrega 60 segundos de arranque extra, dando um salto para 408 cv e 67,7 kgfm. A força dos motores são distribuídas da seguinte forma: 183 cv e 31,5 kgfm de torque para tracionar o eixo dianteiro e 224 cv e 36,2 kgfm para movimentar o traseiro.

Como nos veículos elétricos o torque é instantâneo, o e-tron acaba oferecendo desempenho de carro esportivo. Ele vai de 0-100 km/h em apenas 6,6 segundos, que cai para 5,7 s com o overboost (no modo Sport). A velocidade máxima é de 200 km/h (limitada eletronicamente). Não há um câmbio automático para as trocas de marchas. E sim uma alavanca que seleciona os modos de condução Drive e Sport, e as posições Neutro e Ré.

 

AUTOS E MOTOS traz o conteúdo do site Trovão Motor que destacou o carro da Audi. A matéria indica que o modelo tem o trem de força do e-tron tem controles eletrônicos de auxílio à estabilidade e suspensão a ar que pode ser rebaixada, automaticamente, em até 8 centímetros. O carro também vem com a nova geração da tração integral Quattro, capaz de regular de forma contínua e variável a distribuição ideal de torque entre os dois eixos e as rodas. Isso permite a melhor aderência e dinâmica em qualquer tipo de terreno. Por exemplo, se o motorista quer maior eficiência no consumo, a força se concentra no eixo traseiro, se ele pisa mais fundo, exigindo mais energia, o dispositivo joga a força para a dianteira.

O motorista também tem a disposição sete perfis diferentes de condução conforme o piso por meio do Audi drive select – Auto, Comfort, Efficiency, Offroad, Dynamic, Allroad e Individual.

A autonomia das baterias é de até 436 quilômetros, no ciclo europeu WLTP. O tempo de recarga dependerá da fonte a ser utilizada no “reabastecimento” (leia mais abaixo). As baterias também podem ser alimentadas usando o freio regenerativo, que recupera a energia que seria desperdiçada, sendo reaproveitada pelo sistema elétrico. Basta tirar o pé do acelerador ou pisar no pedal de freio para o sistema entrar em operação. A intensidade da frenagem regenerativa pode ser ajustada por borboletas atrás do volante, parecidas com os conhecidos shift-paddles – lembrando que não há troca de marchas.

As aletas ampliam ou reduzem (em três níveis) o quanto de energia cinética será transforma em elétrica pelos motores.

Nível 0: o veículo não recupera energia quando o motorista solta o pedal do acelerador;
Nível 1: de desaceleração mínima para a recuperação;
Nível 2: de alta desaceleração.

Os motores elétricos geram torque de freio regenerativo, fazendo com que o SUV reduza a velocidade fortemente enquanto produz eletricidade – o motorista pode desacelerar e acelerar usando apenas o pedal do acelerador, criando a sensação de pedal único. Em baixas velocidades, praticamente não há necessidade de usar o pedal do freio.

O e-tron também é primeiro carro de passeio com produção em larga escala feito na Europa, e também vendido no Brasil, a não ter espelhos retrovisores externos. A solução não vem de série. É opcional para a versão Performance Black e adiciona R$ 13 mil. Eles dão lugar às câmeras de alta definição que projetam a imagem lateral em telas fixadas nas portas, numa posição próxima da visão que o motorista teria com os espelhos normais. As telas incorporam avisos de veículo no ponto cego (opcional) e de seta ligada.

O retrovisor virtual proporciona ainda melhor visualização, especialmente à noite, com imagem mais nítida graças à tecnologia oled de 1.280 x 800 pixels, cujo brilho se ajusta automaticamente. O melhor ângulo de visão no monitor das portas pode ser encontrado apoiando o dedo sobre a tela sensível ao toque.  O e-tron segue o luxo e o nível de tecnologia já vistos no Q8. O painel é formado por telas totalmente digitais. Elas estão no quadro de instrumentos virtual, na central de entretenimento com 10,1 polegadas e na área de comandos do carro, com 8,6”, logo abaixo o multimídia.

Os assentos possuem costura que lembram placas de um circuito elétrico, com ajuste de lombar e com memória para o motorista. Há um pacote de luzes personalizável, no qual é possível escolar a iluminação da cabine em 30 diferentes tons, como o azul, laranja, verde e vermelho.

A lista de itens de série é ampla, bem como os opcionais para a versão topo de linha.

DESTAQUES DA VERSÃO DE ENTRADA PERFOMANCE:

– ar-condicionado de quatro zonas;
– teto solar elétrico panorâmico;
– faróis full led com assistente de farol alto;
– controle de cruzeiro adaptativo com assistente de saída de faixa, que freia e acelera o veículo sozinho e ainda mantém automaticamente dentro da sua faixa de rodagem;
– abertura e fechamento elétrico do porta-malas por movimento dos pés embaixo do para-choque;
– abertura de veículo por proximidade;
– auxílio de estacionamento plus com câmeras 360º;
oito airbags;
– central multimídia com comando de voz, sistema de navegação e conexão Android Auto e Apple CarPlay;
rodas de liga aro 21.

Opcionais:

  • – pintura metálica (R$ 2,4 mil);
    – Pacote Tecnológico (R$ 26 mil): head-up display (projeta informações de condução e de entretenimento no para-brisa; pre sense dianteiro (que avisa o motorista e prepara o veículo para o caso de uma colisão iminente) –; e assistente de visão noturna (sistema de câmera infravermelho que capta objetos à frente e exibe no quadro de instrumentos do carro).
  • TOPO DE LINHA PERFORMANCE BLACK ACRESCENTA:
    – interior bancos dianteiros esportivos;
    – kit S line com soleiras em alumínio e iluminadas, capa do retrovisor externo na cor preta, frisos decorativos nas portas e pinças de freio laranja;
    – sistema de som Bang & Olufsen 3D, com 16 alto falantes.

Opcionais:

  • – pintura metálica (R$ 2,4 mil);
    – Pacote Tecnológico (R$ 26 mil);
    – retrovisores virtuais
    – faróis full led Matrix HD com luz de direção dinâmica (altera a intensidade e direção de acordo com o caminho e os carros que vêm na direção contrária);
    – assistência de mudança de faixa (sensor com sinal de alerta que faz a varredura em até 70 m na traseira e avisa o motorista da aproximação de um veículo antes de mudar de faixa;
    – Audi pre sense traseiro: reconhece a iminência de uma colisão e regula o tensionamento dos cintos dianteiros, posicionamento de banco e fechamento de teto solar e vidros;
    – assistente de aviso de saída: alerta de perigo quando os passageiros estão saindo do veículo;
    – assistente de tráfego reverso: informa o condutor sobre a possibilidade de um acidente ao realizar uma manobra traseira com a utilização dos sensores e radares do veículo, além de uma breve utilização dos freios caso necessário.

Espaço de sobra

 

O e-tron é um SUV grandalhão. São 4,90 metros de comprimento (bem maior que um sedã médio, 2,04 m de largura e 1,62 m de altura. Chama atenção o longo entre-eixos, com 2,93 m (de uma picape média). Isso se traduz em ótimo espaço interno. Inclusive, sobre um pouco mais de espaço (não muito) para as pernas do quinto passageiro, no meio do assento traseiro, uma vez que carro não vem com cardã e, consequentemente, sem o túnel central. No local está posicionado o sistema de ventilação traseiro, com regulagem digital para os passageiros. além de duas saídas USB e tomada de 12V.

O porta-malas pode levar 600 litros de bagagem, crescendo para 1.725 litros com os bancos rebatidos. A abertura é elétrica e com ajuste de altura. Um recurso interessante no e-tron é a presença de um segundo porta-malas na dianteira, aproveitando o espaço extra disponível com a ausência do motor a combustão. Ele acomoda no compartimento o kit de ferramentas do veículo e o cabo do carregador Audi Compact Charger.

Com o teto solar panorâmico, o modelo intensifica a sensação de espaço amplo. O e-tron foge à regra da média dos veículos elétricos quando o assunto é visual. Nada de exageros estilísticos ou visual superexclusivo. Ele segue o design dos SUVs da marca, com algumas linhas próprias. Os faróis acompanham a assinatura da marca, com um recorte em formato de vírgula. A iluminação é full led. Detalhe para as quatro faixas na borda inferior da lente, complementando as luzes diurnas. É uma assinatura do modelo.

A grade frontal traz o novo formato octogonal, já usado pelo pelos utilitários Audi, como o novo Q3 – nos sedãs, hatches e esportivos ela é trapezoidal. Atrás o design inaugurado no Q8, com as lanternas conectadas entre si por uma barra iluminada. Elas também trazem sete faixas em formato de bumerangue, exclusivas do SUV elétrico. A lateral vem acompanhada de uma faixa preta que mostra a área, sob o assoalho, na qual está instalada o conjunto de baterias. E ainda pelo logotipo e-tron na cor laranja, que identifica não só o modelo mas também a posição da tampa de abertura para acoplar o carregador.

Na versão Performance Black há ainda o opcional dos faróis antiofuscamento (tecnologia Matrix), por R$ 13 mil. O e-tron foi pensando para a esportividade sem abrir mão do bom consumo, requisito básico de carros com emissão zero. Por isso, há soluções aerodinâmicas por todos os lados que combinam essas duas características. Na dianteira saltam os olhos as enormes entradas nas extremidades do para-choque, que permitem a passagem de ar em direção às rodas, com aro 21 nas duas versões.

A grade frontal vem com linhas verticais e horizontais e uma entrada de ar ajustável, que pode se abrir ou fechar dependendo das condições. Já a extremidade inferior da grade é amplamente fechada, como pede um modelo totalmente elétrico. Vale ressaltar ainda a parte inferior do veículo totalmente forrada com placa de alumínio, que além de proteger a bateria também reduz o arrasto.

Em velocidades mais elevadas numa rodovia, por exemplo, a suspensão pneumática baixa a altura do veículo automaticamente, reduzindo também o arrasto. É possível realizar a operação manualmente, seja para superar obstáculos ou para facilitar o embarque e desembarque de passageiros Todos esses recursos fazem o coeficiente aerodinâmico atingir o índice 0,27, acima da média no segmento de SUV, contribuindo para a melhor eficiência e autonomia. E estamos falando de um utilitário que pesa 2.665 kg (mais de duas vezes o peso do Chevrolet Onix). Só o conjunto de baterias, são 700 kg. Por falar nelas, a posição embaixo da cabine deixa o centro de gravidade mais baixo que o de SUVs convencionais. Segundo a Audi, com isso a dirigibilidade se assemelha a de um sedã médio.

Tempo de recarga

O e-tron usa baterias com 36 módulos de alumínio, cada um com o tamanho aproximado de uma caixa de sapatos e organizadas em dois níveis. O que permite a troca separadamente, caso alguma apresente falha. O conjunto tem capacidade de armazenamento de 95 kWh, o que garante uma autonomia de 436 quilômetros. É o suficiente para ir e voltar da praia ou fazer viagens com percursos não tão longos – as rodovias que ligam São Paulo ao Rio de Janeiro ou Curitiba a Foz do Iguaçu já possuem postos de recarga ao longo do trajeto.

A autonomia também está diretamente ligada ao comportamento do motorista ao volante. Não esqueça que o e-tron tem um tocada bem esportiva e rápida, portanto é um convite a aceleradas mais fortes. Quanto ao tempo de recarga, a Audi fala em 30 minutos para 80% da capacidade nas estações de carga rápida do tipo DC, com 150 kW. Essas encontradas em postos de reabastecimento em rodovias.

Nos pontos urbanos disponíveis em shoppings e supermercados, por exemplo, a capacidade média é de 22 kW. Isso significa, pelo menos, 2 horas para realimentar uma bateria totalmente descarregada – o que dificilmente o dono deixará acontecer. Para tomadas caseiras, geralmente com 7,2 kWh, o processo pode levar até oito horas – durante a noite, por exemplo. O ideal é ter em casa uma rede de energia trifásica, com tensão para 380 V. Assim, é possível aproveitar melhor o carregador de alta potência vendido em separado pela Audi.

Como a infraestrutura no Brasil ainda é precária para a frota eletrificada, as montadoras que estão investindo neste segmento por aqui também realizam parcerias no intuito de alavancar o setor e atrair mais clientes. A Audi, no caso, fará a instalação de 200 pontos de recarga pelo país, como em academias, hotéis, clubes e restaurantes. Os equipamentos são do tipo AC e plug do tipo 2 (padrão europeu), oferecendo 22 kW de energia.

O processo está previsto para ser concluído até o fim de 2022. O investimento é de R$ 10 milhões na infraestrutura e tem a parceria da Engie, maior geradora privada de energia do Brasil. O SUV elétrico da Audi chega para brigar com o Jaguar I-Pace, lançado em 2019 no Brasil e que custa R$ 452,2 mil. Os dois motores elétricos do modelo britânico rendem 400 cv e 70,9 kgfm de torque. Números que o fazem ir de zero a 100 km/h em apenas 4,8 segundos e atingir 200 km/h de velocidade máxima. O conjunto de baterias de 90 kW possibilita atingir até 470 km com uma carga completa no ciclo europeu WLTP.

Assim como e-tron, o I-Pace também tem dimensões superlativas. São 4,68 metros de comprimento e entre-eixos de quase 3 metros. Outro rival que vem para a briga em breve é o Mercedes-Benz EQC 400, previsto para junho, com valor estimado de R$ 477.900. A potência gerada pela dupla de motores é de 408 cv e 78 kgfm. O carro acelera de 0 a 100 km/h em 5,1 segundos, com velocidade máxima limitada em 180 km/h. A autonomia gerada pelas baterias de íon de lítio supera os 400 km, garante a Mercedes. Os demais elétricos à venda no Brasil são hatches compactos e médios: BMW i3, Chevrolet Bolt, Nissan Leaf e Renault Zoe, além de modelos da JAC.

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