O Uber hipocondríaco

Levando passageiro na Cidade Nova surge uma chamada. Uma pirambeira, resolvo descer pois já conheço. De longe observo, a passageira com um lenço na boca e penso:

– Que bom que vim, coitada, dor de dente, fiz uma boa ação.

Quando ela entra me diz:
“- Bô dia bôdorista, discubi dô gripada,buito gribada”!

Imediatamente, filho de hipocondríaca que sou a garganta começa a coçar, a cabeça a doer, enjôo, náuseas, mas respiro fundo (somente para me arrepender pois fico na certeza que ingeri bilhões de vírus) e vou em frente.

Digo que desejo melhoras e pergunto o itinerário (algum hospital, talvez)!

” – Bô ali bu culto, dênho que orar” …

Eu penso : Meu Deus, vai contaminar a igreja toda, vai ser uma carnificina, talvez Deus tenha mandado essa gripe dos infernos justamente para ela ficar em casa.

“- Atchim…dicuba” me aterroriza ela espirrando e eu dou graças a Deus que a janela está aberta enquanto procuro lembrar de alguma farmácia próxima para me entupir de algum anti gripal.

No meio do caminho, a apssageira encontra uma colega de culto e pede para dar uma carona a menina, fazendo assim sua primeira vítima no contágio. Com satisfação e alívio a deixo na igreja, rezo um pai nosso e vou procurar uma farmácia, mas logo logo surge uma chamada que me tira dessa ideia.

Não fiquei gripado.

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