Automotivo

Indústria brasileira registra maior produção mensal de automóveis

Escrito por Roberto Nunes

A indústria automotiva brasileira registrou, em agosto, a maior produção mensal de veículos desde 2019. Foram 271,2 mil unidades, segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O resultado positivo, porém, traz um ponto de atenção para o setor: de acordo com a entidade, cerca de dois terços do aumento do volume produzido no ano vieram de veículos montados nos regimes SKD (Semi Knocked Down, ou semidesmontado) e CKD (Completely Knocked Down, ou totalmente desmontado), que envolvem a chegada ao país de veículos ou conjuntos desmontados para montagem local.

O avanço amplia a integração da indústria brasileira às cadeias internacionais de fornecimento e coloca em evidência um desafio que vai além da capacidade produtiva: como garantir a qualidade e a continuidade da produção diante de uma maior conexão com fornecedores e mercados externos?

Para o IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, a questão não está na origem nacional ou internacional do componente, mas na capacidade de assegurar os mesmos requisitos de qualidade em toda a cadeia.

“Quanto maior a integração às cadeias internacionais, maior a necessidade de controlar os riscos associados ao fornecimento. Uma interrupção no fornecimento pode parar uma linha de produção, enquanto uma não conformidade não identificada pode comprometer o desempenho, a segurança e a confiabilidade do veículo”, afirma o Cláudio Moysés, presidente do IQA.
Qualidade precisa acompanhar a cadeia

A maior exposição às cadeias internacionais também amplia os riscos relacionados à logística, às instabilidades geopolíticas, às mudanças regulatórias e à capacidade produtiva dos fornecedores. Por isso, a gestão da qualidade precisa estar integrada à gestão de riscos.

Nesse cenário, a homologação e a qualificação de fornecedores, assim como auditorias, inspeções, monitoramento de desempenho e rastreabilidade, tornam-se essenciais para identificar desvios e evitar que uma não conformidade afete a produção.

Para componentes provenientes de diferentes países, também é necessário considerar possíveis diferenças nos processos, materiais e requisitos técnicos. O objetivo é garantir que a origem do componente não resulte em diferentes níveis de qualidade dentro de um mesmo veículo.
Gestão de fornecedores ganha importância

A maior participação de fornecedores internacionais não significa, necessariamente, que a indústria precise eliminar ou reduzir de forma indiscriminada sua dependência externa. O desafio está em diminuir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta diante de eventuais interrupções.

Isso passa pela identificação de componentes críticos, pela avaliação de riscos por fornecedor e região, pela definição de alternativas de abastecimento e pela maior integração entre as áreas de qualidade, engenharia, compras, logística e produção.

Para o IQA, o crescimento da produção precisa vir acompanhado de processos que garantam consistência da qualidade, rastreabilidade e maior previsibilidade no fornecimento.

O avanço da produção brasileira mostra a força da indústria, mas também reforça a necessidade de garantir que o aumento do volume não amplie a exposição a falhas de fornecimento ou a não conformidades.

Produzir mais exige também assegurar que cada componente, independentemente de sua origem, atenda aos mesmos requisitos técnicos e de qualidade.

 

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Roberto Nunes

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