Automotivo

Carros elétricos são destaque no mercado brasileiro

Escrito por Roberto Nunes

Sérgio Amaral*

Números indicam que os carros elétricos estão conquistando os brasileiros. Em setembro de 2026, o país atingiu a marca de um milhão de eletrificados, considerando os emplacamentos acumulados desde 2012, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Esse avanço mostra que a mobilidade elétrica começa a deixar de ser uma discussão restrita ao setor automotivo e passa a ser uma pauta que merece a atenção de todas as esferas sociais.

À medida que esses automóveis ganham mais espaço nas cidades, necessidades relacionadas ao uso desses modelos também ficam em evidência no cotidiano, como é o caso da recarga. Diferentemente do abastecimento convencional, resolvido com uma parada rápida em algum posto de gasolina, motoristas de eletrificados ainda encontram certa dificuldade na busca cotidiana por espaços para carga. Hoje, os chamados eletropostos estão com baixa oferta se comparados a uma crescente demanda, além de ser comum ter esses locais distantes entre si. Esse gap na distribuição de pontos de recarga pelo território nacional limita as opções do condutor durante os deslocamentos.

Mas outro ponto que vale destacar nesse cenário é o tempo de recarga. Enquanto os carros convencionais levam minutos para abastecer, o elétrico pode levar horas, dependendo do tipo de carregador. Diante dessa nova realidade, complexos comerciais, como centros de conveniência e shoppings, podem promover uma virada de chave em seus negócios ao transformar a necessidade de uma infraestrutura de recarga de eletrificados em oportunidades que não só geram rentabilidade para o empreendimento, mas também agregam valor à jornada do consumidor, oferecendo espaços inteligentes para quem os usa.

Ainda neste ano, a McKinsey divulgou pesquisa sobre a redefinição do conceito de conveniência. Conforme observou a consultoria, mais de 90% dos consumidores de todas as gerações afirmam que a conveniência da localização em relação à rotina é um fator fundamental na escolha de onde fazer compras. No entanto, para as gerações mais jovens, a conveniência tem menos a ver com proximidade e mais com multifuncionalidade.

Diante desse contexto, 65% da geração Z e 64% dos millennials preferem consumir em um espaço que lhes permita fazer mais do que simplesmente comprar. A ideia é combinar tarefas diárias com experiências, como aula de ioga, consulta veterinária e cafeteria.

Em paralelo a esse movimento, temos, no segmento automotivo, que pode fazer com que o momento de carregamento ocorra em locais onde o motorista já planejava parar por um tempo, como hotéis, restaurantes, shoppings e centros de lazer.

Esses dois cenários nos levam a uma proposta em comum: o conceito de parada útil. Do ponto de vista automotivo, estamos falando de o automóvel carregar enquanto o motorista faz outra atividade. Ou seja, o tempo de recarga significa mais tempo de permanência nesses locais. Com isso, os complexos comerciais podem repensar a forma como esses ambientes são utilizados para criar áreas inteligentes, feitas sob medida com base nas necessidades desses condutores.

Uma possibilidade está na oferta de serviços relacionados ao próprio veículo, por exemplo. Espaços destinados à manutenção, revisão e outros cuidados específicos para carros eletrificados podem atender a uma necessidade que tende a acompanhar o crescimento dessa frota. Enquanto o veículo permanece conectado ao carregador, o motorista resolve uma demanda que, em outra situação, exigiria uma parada exclusiva.

A mesma lógica pode ser aplicada às atividades da rotina. Um empreendimento próximo a escolas, por exemplo, pode contar com um espaço kids onde as crianças permaneçam por um período enquanto o responsável aguarda a recarga do veículo. Em outro contexto, uma praça de alimentação pode atender quem precisa fazer uma refeição, enquanto um coworking ou uma sala de reuniões pode oferecer estrutura para quem precisa trabalhar. A ideia é que o próprio espaço ofereça alternativas compatíveis com as necessidades de quem está ali.

A escolha dessas estruturas, portanto, precisa considerar as características de cada empreendimento e do público que circula por ele. Entender o perfil dos motoristas, os horários de maior circulação e os serviços de interesse ajuda a definir quais soluções fazem sentido para aquela realidade.

No final das contas, não é sobre criar consumo enquanto o motorista espera, mas sobre posicionar a recarga de eletrificados em espaços que já fazem sentido para a rotina dessas pessoas. A geração de valor para o consumidor, nesse caso, para os condutores de carros elétricos, é o que difere quem simplesmente vai acompanhar as mudanças de consumo daqueles que fazem parte delas.

*Sergio Amaral é Gerente de Exportação e Novos Negócios na Lity

 

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Roberto Nunes

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