Trilhas de enduro fazem parte da vida do piloto Wellington Yuri

O caminho – ou melhor as trilhas em cima de uma moto – foi bem longo e, literalmente, cheio de percalços, subidas e descidas para a conquista do título de campeão baiano de Enduro de Regularidade 2019. Para o jovem piloto Wellington Yuri, 33 anos, o desafio será ainda maior na categoria principal do enduro, a Master da edição 2020 do Campeonato Baiano de Enduro de Regularidade.

Guiando sua moto – modelo KTM preparada para as corridas de enduro -, o piloto baiano Wellington Yuri já é um vencedor. Yuri acredita no trabalho árduo e nos treinamentos para atingir um nível elevado em cima da sua KTM. Engenheiro de profissão, Wellington Yuri é um motociclista dedicado. Atual diretor de Enduro FIM e HARD da Federação Bahiana de Motociclismo (FBM), ele almeja conquistar novas provas, novos títulos. “O meu sonho é ser o número 1, o melhor na minha prova, nos meus desafios”, planeja Wellington Yuri, conhecido como Testa no meio do enduro baiano.

Ele adianta que o ano de 2020 traz como grande novidade o Enduro Hard e suas provas cascas-grossas. Por enquanto, Yuri diz não se arriscar nas trilhas do Hard e vai mesmo ficar nos bastidores da organização desta modalidade, a que mais cresce em todo o mundo.

Mas seus planos de conquistas foram traçados no começo da sua carreira em 2009. No ano de 2012, Yuri começou a ganhar gosto pelo enduro. “A primeira etapa do ano, na cidade de Santo António de Jesus, fui campeão pela primeira vez da categoria que estava participando (Classe Junior). A alegria tomava conta de mim, foi um dos momentos mais felizes dessa minha história de competições, Primeira do ano, Primeiro ano naquela classe, primeira vitória. Mandei fazer um churras pra comemorar em casa com meus amigos”, recorda.

Entre os planos, deseja participar de uma edição do Enduro da Independência, nas Minas Gerais. Na Bahia, Wellington Yuri é o organizador de provas do campeonato e representa a equipe Tapera, de Santa Teresinha, cidade que ele realiza uma das etapas do Baiano de Enduro. “Na minha cidade Santa Terezinha, temos boa estrutura, apoio e terrenos dos mais acidentados. Lá temos de tudo, pedra, matinha, trechos hard então. Fica bem fácil apertar e medir quem realmente anda”, explica o motociclista, dizendo que a Bahia tem provas tão duras quanto as das edições do Cerapio/Piocerá.

Veja a entrevista com o motociclista Wellington Yuri: 

1. Faz um breve resumo de como o enduro entrou na sua vida?

  • – No ano de 2009, me mudei de Ibotirama para Salvador, buscando estudar e coisas do tipo… Já fazia trilha, tinha moto mas deixei a mesma no interior. Em 2010 trouxe a moto e comecei a rodar aqui, conhecer a galera de trilha e fazer parte das resenhas. Corri uma etapa de uma copa de Cross Country na cidade de Vitória da Conquista de onde voltei com o ombro lesionado e também meio indiferente por não ter me identificado com a modalidade. No final daquele ano tive a oportunidade de participar de uma etapa da Copa TCBA de Regularidade, não fazia nem ideia do que estava fazendo mas me apaixonei pela modalidade e logo em seguida tive a chance de participar da última etapa do campeonato Baiano que naquele ano também foi válido como etapa do Brasileiro… Foi perfeito aquele evento, 2 dias de prova aqui pelas trilha da Região metropolitana. FOI AMOR À PRIMEIRA VISTA, naquele evento tive certeza que gostaria de fazer aquilo como esporte… Fiquei em 11° lugar e trouxe meu primeiro troféu para casa (pense numa alegria)… De lá pra cá não larguei mais…

2. O que é de fato enduro? E quais são as modalidades realizadas na Bahia?

  • – O termo Enduro determina da palavra Endurence e remete a capacidade de resistir a um esforço prolongado. Esse termo é utilizado a nível mundial para esportes motociclisticos onde performances tanto do piloto quanto da moto são medidos. Na Bahia temos hoje 3 campeonatos em decorrência do que está mais atualizado no cenário nacional.
  • Enduro FIM –  É uma modalidade que segue os padrões e regulamentos da Federação Internacional de Motociclismo ( Por isso do nome FIM). Basicamente é uma trilha organizada , sinalizada por placas com trechos cromometradas. Trata-se de um enduro aonde o piloto tem que ser rápido e regular . A parte da Velocidade , fica por conta das Especiais , trechos escolhidos pelos organizadores aonde terá a tomada de tempo.

Enduro Hard – Como o próprio nome sugere, Hard Enduro significa ação extrema em locais iguais. Este é um esporte que mistura endurance (provas de longa duração) com trails (escalada de pedras), motocross e puro sadismo dos competidores. Não é um esporte para quem tem medo ou estômago fraco. O que também diferencia o Hard Enduro das outras competições é o espírito do negócio: qualquer um pode participar, desde os amadores e os domingueiros até a elite.

Enduro de Regularidade –  Primeiro uma curiosidade sobre a modalidade, só existe Enduro de Regularidade no Brasil, os demais eventos são corridas de velocidade que originalmente acontecem em circuitos abertos, em trilhas e estradas de terra. Vence aquele que fizer todo o percurso no menor tempo, como acontece no Enduro FIM, Rallys, entre outras. Aqui no Brasil houve uma variação da modalidade, e assim nasceu o Enduro de Regularidade, onde o piloto tem dois deveres, pilotar e navegar. No Enduro de Regularidade deve-se obedecer o roteiro e as médias pré-estabelecidas pela organização. Vence aquele que melhor se mantiver dentro dessas médias horárias. As principais características da modalidade é que a prova passa por trilhas e por vias públicas, onde Piloto deve seguir o roteiro e a velocidade média referenciados em uma planilha gerada pela organização. A verificação do desempenho do piloto é feita em PC’s (Postos de Controle) dispostos secretamente ao longo da prova, que registram o horário de passagem do piloto. Para cada segundo de atraso em relação ao tempo ideal o piloto perde um (01) ponto. Para cada segundo adiantado em relação ao tempo ideal o piloto perde três pontos. São tolerados alguns segundos sem perder pontos no PC. Esta tolerância depende do regulamento da prova para cada categoria. Geralmente a tolerância é de 3 segundos para adiantado e atrasado.

3. Cair faz parte da competição de motos. Você já se envolveu em acidentes? Há técnica para não se machucar tanto?

  • De fato, cair e se machucar são inerentes ao esporte. Há cerca de 5 anos me envolvi num acidente treinando onde fraturei o punho (radio e ulna), esse foi meu acidente mais sério nesses 10 anos de competições. Existem sim muitas técnicas para não se machucar, no entanto o risco existe. Com treinamentos intensificadas e buscando sempre estar bem condicionado fisicamente para evitar quedas, assim o piloto potencializa as chances de lograr êxito nas competições e sair ileso.

4. Qual foi a pior e melhor prova da sua vida?

  • Difícil falar, passei por bons momentos e momentos ruins também. Me lembro muito bem do campeonato do ano de 2012. Posso dizer que naquele ano tive 2 momentos muito ímpares no esporte. A primeira etapa do ano, na cidade de Santo António de Jesus, fui campeão pela primeira vez da categoria que estava participando, (Classe Junior), a alegria tomava conta de mim, foi um dos momentos mais felizes dessa minha história de competições, Primeira do ano, Primeiro ano naquela classe, Primeira Vitória… Mandei fazer um churras pra comemorar em casa com meus amigos. Aquele ano foi composto de 11 etapas e na nona etapa na cidade de Cruz das Almas, ainda estava lider da classe e vinha bem na corrida, após passar por um rio, ainda na parte da manhã, tinha uma subida num pasto com muitas pedras escondidas bati numa pedra com a moto que impenou o guia da corrente, a corrente caiu pra trás do pião (mal da CRF 230, moto q usava naquele ano… e descrito por um amigo dias antes “pra, coloque aquela pecinha q não deixa a corrente ir pra trás do pião”)… Fiquei cerca de 1 hora parado no meio da trilha arrumando, sai de lá doido e atordoado na intensão de pegar a parte da tarde e tentar fazer alguns pontos… me perdi fui parar em outra cidade… pense… resumindo tomei NC de manhã e NC de tarde, não pontuei e perdi a liderança do campeonato ali, fui vice campeão naquele ano. Bem triste… kkkkkkkk… Mas gerou esse história pra contar…

5. E as provas mais duras? Como é a preparação do piloto/navegador? Essa é uma função dupla na competição, né?

  • Mexe e vira temos etapas bem duras, a exemplo de cidades como Jacobina onde o relevo é bem diferente. Temos muitas pedras e serras, o que tornam a brincadeira mais legal ainda. Temos ainda Santa Teresinha (onde realizo minha etapa junto com os TAPERA, clube ao qual faço parte e sou atual Presidente), que também é temida pelos competidores, lá temos de tudo, pedra, matinha, trechos Hard então fica bem fácil apertar e medir quem realmente anda. A nossa preparação é baseada em ter preparo e condicionamento físico suficiente para suportar as 5 horas de prova, que normalmente são bem duras, e os treinos na moto para garantir entrosamento com a máquina e equipamentos de navegação. Sim de fato na moto, na modalidade Enduro de Regularidade o piloto também é navegador.

6. E seu sonho na competição de motos? Tem ainda uma grande prova que você deseja fazer?

  • No ano de 2018 tive a chance de ir numa das provas mais glamurosas do País, o Cerapio, evento realizado há 33 anos que tem pilotos dos 4 cantos do Brasil. Fiquei em 5° colocado após 4 dias de prova entre as cidades de Fortaleza- CE e Teresina – PI de onde trouxe um dos troféus mais importantes que tenho em casa. Estou planejando ir no Enduro da Independência, prova muito dura realizada no estado de Minas Gerais (maior celeiro de trilhas do País, berço do esporte) Essa é minha proxima meta.

7. Como está a preparação do futuro do enduro na Bahia?

  • A FBM é muito respeitada no âmbito nacional e a Bahia tem seu espaço junto a CBM. O futuro das competições no estado está assegurado, temos um numero de apaixonados no estado que segura o esporte e da continuidade. Vamos continuar seguindo os anseios e regulamentos da CBM e assim garantir eventos de porte no estado e competições a nível Brasileiro, assim como etapas nacionais aqui no estado. Como exemplos da Prova do Prado no mês de Outubro que será válida como encerramento do campeonato Brasileiro de Enduro de Regularidade. Ainda teremos uma etapa do Campeonato Brasileiro de Baja também. O ano promete bastante. Tivemos eleição da nova Diretoria da FBM onde elegemos o Joelton Vieira para Presidente, ele tem muitos planos para o esporte e acreditamos em anos promissores.

8. Há pilotos baianos nas grandes provas nacionais?

  • Ano passado tivemos um dos melhores pilotos do estado, o Guilherme Trancoso (Guiga #64) da cidade de Eunapolis, correndo em meio aos brasileiros nas modalidades de FIM e Regularidade nas categorias Elite 01 e Master. Também tivemos outra grande promessa o piloto da cidade de Cruz das Almas, o Felipe Paiva (Lambe Nada #80). Estes nos representaram muito bem. Além de Mizael Amarantes (Matuto #08) que corre pela classe Master e esteve presente em várias etapas do campeonato Brasileiro assim como muitas provas do âmbito nacional q não compõem o calendário de Regularidade Mas são muito conhecidas, a exemplo do Independência e Ibitipoca. Para a temporada 2020 que já tivemos o Cerapio como abertura e lá tivemos o Felipe Paiva correndo pela classe Sênior, tivemos o José Eduardo (Plástico) pela Over 40, o Misael Amarantes (Matuto) pela Master. O ano promete.

9. Como está a preparação para o campeonato baiano e provas em 2020?

  • O Campeonato Baiano já tem calendário definido, cidades, provas e modalidades definidas. Acredito que teremos um ano muito bom. Eu particularmente estou fora de forma e pensando na nova categoria que vou estrear a Master… mas vamos que vamos.

 

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