Com o avanço da eletrificação automotiva, cresce também a circulação de desinformações sobre os carros elétricos, especialmente quando o assunto é segurança. De incêndios a riscos em dias de chuva, o especialista Jones Poffo, engenheiro eletricista e CEO da P3 Engenharia, aponta que boa parte das preocupações mais comuns não se sustenta diante de dados e tecnologias atuais.
Um dos mitos mais recorrentes é o de que carros elétricos pegam fogo com mais facilidade do que os modelos a combustão. No entanto, estudos indicam que o risco pode ser significativamente menor. Um estudo do site americano Auto Insurance REZA indica que a chance de incêndio em veículos movidos a gasolina é até 60 vezes maior do que em modelos elétricos.
Conforme Jones, isso se explica, principalmente, pela natureza dos combustíveis fósseis, que são altamente inflamáveis. Já os veículos elétricos utilizam baterias de íon-lítio com sistemas de segurança integrados, como controle térmico, sensores de monitoramento e desligamento automático em casos de colisões graves.

Para Poffo, a percepção de risco está muito mais ligada à falta de informação do que à realidade técnica. “Os carros elétricos são projetados com múltiplas camadas de segurança justamente para evitar situações críticas. Existe um nível de controle e monitoramento muito mais sofisticado do que nos veículos tradicionais”, afirma.
Outro ponto frequentemente levantado é o risco de explosões durante o carregamento. No entanto, segundo o engenheiro, as estações de recarga e os próprios veículos contam com sistemas de proteção contra sobrecargas e superaquecimento. A eletricidade passa por diferentes camadas de segurança antes de chegar à bateria, que também possui controle térmico constante.
“Para que ocorra um problema mais grave, seria necessário um cenário muito específico, como falha de fabricação ou uso de equipamentos não certificados. Por isso, a recomendação é sempre utilizar carregadores homologados e infraestrutura adequada”, reforça Poffo.
Também é comum a dúvida sobre o uso de carros elétricos em dias de chuva ou em áreas alagadas. Nesse caso, Jones garante que não há risco adicional em comparação aos veículos convencionais. Os componentes elétricos são totalmente selados e protegidos contra infiltrações, o que impede curtos-circuitos.
“Em situações de alagamento, os modelos elétricos podem apresentar vantagens. Como não possuem escapamento, eliminam o risco de entrada de água no sistema, algo que pode comprometer motores a combustão”, destaca.
Outro equívoco diz respeito à suposta emissão de gases ou substâncias tóxicas. Diferente dos veículos tradicionais, que liberam poluentes constantemente, as baterias de lítio são seladas e não emitem vapores durante o uso normal. Casos de emissão estão restritos a situações raras, como acidentes com incêndios que atingem a bateria.
“Quando o fogo atinge a bateria, há risco de emissão de substâncias tóxicas e a necessidade de técnicas mais específicas de combate. No entanto, por serem estruturas altamente seladas, a probabilidade de as chamas alcançarem essas baterias é muito baixa”, explica.
A ideia de que carros elétricos emitem radiação prejudicial à saúde também não encontra respaldo científico. “Assim como celulares e eletrodomésticos, esses veículos geram campos eletromagnéticos, mas em níveis muito abaixo dos limites considerados nocivos por organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS)”, aponta Poffo.
Além disso, o especialista lembra que os carros elétricos precisam atender a rigorosas normas internacionais antes de chegarem ao mercado, incluindo regulamentações da Sociedade de Engenheiros Automotivos (SAE) e da Comissão Europeia. Esses padrões garantem que os veículos passem por testes exigentes de segurança.
“Na prática, a tecnologia embarcada nesses modelos inclui sistemas como corte automático de energia em colisões, monitoramento contínuo da bateria e proteção contra sobrecarga durante a recarga”, diz.
Para quem já utiliza ou pretende investir em um carro elétrico, Jones indica algumas boas práticas que ajudam a aumentar ainda mais a segurança e a durabilidade do veículo. Entre elas, priorizar a carga lenta, utilizar equipamentos certificados, evitar adaptações elétricas improvisadas e seguir as orientações do fabricante.
“Os carros elétricos representam não só uma evolução em eficiência, mas também em segurança. Quando utilizados corretamente, são extremamente confiáveis e preparados para diferentes situações do dia a dia”, conclui.


Deixe um comentário