Automotivo

Move Brasil abre nova frente de financiamento

Escrito por Roberto Nunes

O financiamento de veículos para profissionais que utilizam o automóvel ou a motocicleta como instrumento de trabalho ganhou uma nova frente com o Move Brasil. A iniciativa esteve entre os temas discutidos durante o 6º Panorama de Veículos, promovido pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) em São Paulo. Executivos do setor financeiro discutiram no evento as diferentes experiências de acesso ao crédito para motoristas de aplicativo, taxistas e consumidores que utilizam a motocicleta como fonte de renda.

O Santander Financiamentos ingressou recentemente no Move Brasil para conhecer melhor o perfil de motoristas de aplicativo e taxistas. Meister afirmou que a iniciativa permite avançar na análise e na precificação desse segmento e acompanhar sua performance de pagamento em um ambiente controlado. O banco, afirmou, já havia buscado parcerias com empresas de aplicativo para realizar backtests e compreender melhor esse público. “Acho que trouxe uma oportunidade aqui para o mercado de a gente entender melhor esse público, de como a gente consegue precificar, de como a gente consegue analisar […] ver qual é a performance de pagamento deles, sob um ambiente controlado”, afirmou Meister.

A experiência das instituições com taxistas mostra, porém, que utilizar o veículo profissionalmente não significa necessariamente maior risco de crédito. Pedro Dabur, do Banco Toyota, afirmou que a categoria está entre os melhores nichos específicos da instituição. “O público de táxi para a Toyota é um público não só cativo, mas, sob o ponto de vista de risco de crédito, excelente. É um dos melhores públicos quando a gente fala de nicho específico”, afirmou Dabur. Segundo ele, taxistas também apresentam uma incidência de fraude menor do que a observada no varejo tradicional. A avaliação ajuda a dimensionar uma das questões colocadas pelo avanço do crédito para profissionais de plataformas: quanto maior o conhecimento acumulado sobre determinado perfil, mais elementos as instituições possuem para analisar risco e estruturar o financiamento.

O Banco Yamaha apresentou uma experiência anterior de ampliação do acesso ao financiamento em um contexto marcado pelo crescimento da gig economy. Nelson Aguiar afirmou que o LiberaCred, criado em 2017, foi desenvolvido diante de mudanças na mobilidade e do aumento do número de pessoas que utilizam a motocicleta como fonte de renda. No modelo descrito pelo executivo, o consumidor que está entrando no mercado de crédito passa inicialmente por um período de pagamentos mensais, utilizado pela instituição para avaliar sua capacidade creditícia. Após essa etapa, o Banco Yamaha oferece a possibilidade de financiamento a taxa de mercado.

“A gente oferece para o consumidor que está entrando no mercado de crédito passar um período fazendo pagamentos mensais para a gente entender qual é a capacidade creditícia dessa pessoa”, afirmou Aguiar. Ao comparar o desempenho do LiberaCred com o restante da carteira do Banco Yamaha, ele afirmou não haver diferença entre eles: “Exatamente igual ao resto da carteira. Não tem diferenças”.

Na avaliação da Acrefi, as experiências apresentadas no evento reforçam uma discussão mais ampla sobre o acesso ao crédito para quem depende do veículo para trabalhar e gerar renda. “Quando o veículo também é um instrumento de trabalho, o crédito ganha uma dimensão adicional porque pode viabilizar a própria geração de renda. O desafio é conhecer cada vez melhor esse público e construir operações sustentáveis tanto para o consumidor quanto para as instituições financeiras”, afirma Cintia Falcão, diretora-executiva da entidade.

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